quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Dia-a-dia durante a quimioterapia

Quero falar um pouquinho sobre minha experiência com a quimioterapia e sobre o que já ouvi de outras pessoas que também passaram por isso. Além disso, fazer algumas colocações que ouvi dos médicos e li em livros e artigos.

Bom, primeiro o que é quimioterapia?
É o tratamento por meio de medicamentos, que podem ser administrados por via intravenosa (soro na veia), intramuscular (tipo injeção no bumbum), oral, subcutânea (injeção), intratecal (injeção na espinha). E serve para matar as células tumorais malignas, tanto de um tumor (quando se faz para diminuir seu tamanho), quanto das possíveis metástases.
Por isso, as pessoas podem fazer este tratamento antes de cirurgia (para diminuição do tumor) e após cirurgia para eliminar as metástases.

No caso da medicação intravenosa (que é a que eu tomo), você vai à clínica ou Hospital e toma soro com medicação. Eu fico em torno de 3 horas. Mas uma amiga minha ficava 6 horas. Depende do medicamento e da quantidade.
Na hora da quimio você não tem sintomas imediatos (ás vezes, já me relataram queda de pressão).
A dose da quimioterapia é calculada com o peso e altura da pessoa (espaço corporal). Pode ser feita diariamente, semanalmente ou a cada 3 ou 4 semanas. Depende do caso e da medicação. Eu tomo a cada 3 semanas. E a quantidade de vezes que você toma (chamados ciclos) depende também de cada caso. Eu farei 6 ciclos.

Quais os efeitos colaterais da quimioterapia?
A quimioterapia tem por objetivo eliminar as células que se multiplicam que é característica da células tumorais, mas também de células saudáveis do corpo, como as células das mucosas (boca, intestino), do couro cabeludo, dos óvulos. Assim, a quimioterapia causa efeitos colaterais.
Os mais conhecidos são náuseas e queda de cabelo. Pode ocorrer também aumento de peso, secura vaginal. Além disso, há a queda de imunidade, e no caso de algumas medicações, outros efeitos mais a longo prazo. Mas tudo vai depender do tipo de medicação que você irá usar. Converse bastante com seu médico e tire todas as suas dúvidas.
Eu também tenho percebido dificuldade de concentração, piora na memória e linguagem, dor no corpo generalizada e cansaço que não passa. Mas tudo moderado.

E como fica meu trabalho, minhas atividades, meu lazer nessa situação?
Bom, eu tenho amigos que já tiveram câncer, de próstata, linfático, crianças com leucemia, que me relataram situações diferentes.
Ouvi relatos de tamanho cansaço que a pessoa teve de tomar banho sentada. E decidiu parar com as atividades profissionais para se concentrar no tratamento. Também me relataram, vida normal, incluindo baladas e tudo que tem direito. E também já me disseram sobre internações no meio do tratamento por infecções (que podem ocorrer mais facilmente pela queda da imunidade) e um amigo que parava de trabalhar apenas no dia da quimio e ficou mais quietinho em casa, mas continuou a trabalhar normalmente. Acho que todo mundo tem que conhecer muito bem o seu corpo. Se você, com câncer ou não, ainda não parou um dia para olhar cada pedacinho do corpo, mesmo que precise de espelho, rs, para pensar em como seu corpo reage, funciona, te avisa do que acontece com ele. Já passou da hora de fazer isso!!!
Cada pessoa reage de uma forma a quimioterapia e acho que o mais importante é respeitar esta reação. Sem medo, sem culpa, sem paranóia. A decisão é de quem tá ali, com o couro sendo furado e os "bofes" saindo pra fora a cada quimio. Então, se tiver que parar tudo para se cuidar, pare. Apenas tome cuidado para não entrar numa deprê e achar que não pode fazer nada.
O mais importante é cuidar da alimentação, da saúde, durante todo o período, na semana da quimio e entre as aplicações. Tudo o que você nunca se importou de verdade em fazer, agora faz a diferença. Uma boa noite de sono, um bom prato de salada, muita água, mais muita água mesmo, sucos e frutas. E uma boa higiene, bucal, geral, íntima. Pois seu corpo está frágil e você corre risco de ganhar um problema extra no meio do caminho. Um amigo levou uma picada de formiga e ficou internado porque o negócio infeccionou. Então não é brincadeira de criança.
Mas nada é o fim do mundo!!!!
A minha experiência esta sendo muito tranquila. Já postei aqui como foram os efeitos colaterais da quimio, a diferença da primeira aplicação pra segunda. Não vou repetir. Vou falar agora do meu dia-a-dia.
Não parei de trabalhar nem de estudar. Quem me conhece, sabe que isso me faria mais mal que bem. Sou muito ativa, sempre fiz milhões de coisas ao mesmo tempo. Mas estou aprendendo a brecar (uma linda lição do câncer).
Sou terapeuta ocupacional, tenho um consultório e faço pós graduação prática em terapia de mão na UNICAMP. Então pela manhã e aos finais de tarde atendo no consultório e no período da tarde estou na UNICAMP atendendo no ambulatório de mão. Paro na semana de quimio e parei alguns dias que não me sentia bem. Por isso, é importante conhecer nosso corpo, ele sempre avisa.
Faço academia. E ai surgiu uma discussão sobre a quantidade de esforço. Li alguns artigos que disseram que o exercício contínuio durante a quimioterapia ajuda a melhorar a fadiga. Sem contar que ajuda a controlar o ganho de peso (que no meu caso antes do câncer já era um probleminha). Mas o mais importante, eu vou porque me sinto bem. Faço spinning e musculação e vou no meu rítmo, sem paranóia, nem do tipo "Ai não posso fazer isso porque faço quimio" e nem "Tenho que me esforçar". Denovo, importante conhecer o corpo.
Namoro porque é muito bom! Rs Tenho saído pouco, mas tenho ido a barzinhos (tomando suco). Meus amigos têm me visitado bastante e isso é muuuuuuuuuuuuuuito gostoso. Tenho cuidado bastante da minha parte espiritual, que é fundamental. E vou viajar. Vou á praia porque acho que viagem é sinal de saúde, rs. Mas é importante dizer que a quimioterapia junto com a exposição ao sol causa manchas, então, diariamente uso protetor 60 e já comprei minha saída de banho manga comprida e chapéu do tamanho do Maracanã, rs.

Quero dizer, compartilhar com tudo isso, é que o câncer e seu tratamento é difícil sim, é trabalhoso, faz a gente ter que ir mais devagar, parar as vezes, mas não pode impedir de a gente ser a gente. E cada um sabe a dor e a delícia de ser quem é. E cada um sabe o quanto pode fazer.

Eu me sinto muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito abençoada e privilegiada por estar trabalhando, estudando, fazendo academia, viajando, sendo feliz! E acho que as pessoas em tratamentos difíceis podem achar também uma maneira mais feliz ou menos dolorosa de passar por isso. Porque passar tem que passar, mas tudo passa! Rs O importante é como se passa!

Espero ter ajudado e influenciado para o bem pelo menos uma pessoa!!! Fiquem com Deus!!!!