terça-feira, 30 de setembro de 2014

Nunca substime a dor alheia.....

Que Deus me ilumine ao escrever este post, que eu não ofenda nem magoe ninguém, mas algumas coisas têm que ser ditas.... Muitas pessoas já me ouviram dizer que nós nunca devemos subestimar a dor do outro. Seja uma unha quebrada ou a perda de alguém importante, somente quem sofre sabe o que está passando. Podemos até achar exagero, sofrimento desnecessário, mas se o outro está sofrendo, devemos acolhê-lo, tentarmos estar no lugar dele. E foi também pensando nisso que escolhi minha profissão. E me sinto realizada toda vez que consigo minimamente, mesmo que apenas só por ouvir, aliviar a dor do outro. Estou muito longe de ser perfeita, mas a qualidade de acolher as pessoas, sejam elas amadas ou não por mim, eu possuo, porque eu pratico. No entanto, acho que as pessoas estão tão acostumadas em me ver forte que esquecem que eu também tenho as minhas dores. E sejam elas uma unha quebrada ou o ca, eu também preciso que alguém as acolha. Estou com um nódulo, potencialmente benigno, na mesma mama que tive o ca. E que fique bem claro que não deixei de ser otimista ou de ter fé! Mas eu tenho medo! Normal, acredito eu, já que sou um ser humano. E as informações que tenho sobre estatísticas e probabilidades são nubladas. Tive o melhor tratamento, mas a chance de reincidência é maior após 2,5 anos de diagnóstico (justo onde me encontro). E pra ajudar vejo quase que semanalmente pessoas morrendo de ca. Racionalmente, eu acho que não seria absurdo se eu estivesse surtada, rs. Mas tenho trabalhado e cuidado do meu futuro, esquecendo diariamente o medo que tenho dele. E, claro, tenho momentos de choro incontrolável, meio que como uma válvula de escape. Mas eu sou uma pessoa a quem não permitem chorar. A quem não permitem ser frágil ou dependente. Talvez porque se acostumaram em me ver forte, talvez porque não saibam lidar com essa situação. Quando eu tive ca eu podia pedir que me levassem de madrugada para o pronto socorro por qualquer motivo, mas eu não podia chorar. Eu tinha que diariamente viver como num livro de autoajuda onde o pensamento positivo atrai pensamento positivo, então eu não podia nem sequer ter medo, nem por um minuto pensar que tudo poderia dar errado. Parecia que se eu pensasse negativo iria acontecer o pior. E deixa eu contar um segredo, essas atitudes foram as que mais me fizeram sofrer. Não foi esse tipo de conversa e atitude que me fizeram ficar em pé, nem de longe. Mas foram os abraços, foram as pessoas que conseguiam se colocar no meu lugar, que choravam comigo, que me davam amor que me mantiveram em pé. Ouvi coisas naquela época que me magoaram muito (embora acredite de verdade que não era a intenção de quem as falava). Deram crédito a pessoas e situações para a maneira como eu estava agindo, sem nem imaginarem os bastidores. E eu admito, muitas vezes pintei de cor de rosa, contei um conto de fadas que não existia, pois precisava também acreditar naquilo. E não estou dizendo que tudo que disse ou escrevi aqui foi mentira ou que a forma como lidei com a doença foi fantasiosa. Só quero dizer, repetir talvez, que o que realmente me ajudou naquela época foi Deus, acima de tudo e Amor, muito Amor em forma de carinho, de empatia, de mensagens, de abraços. E porque estou retomando tudo isso? Porque estou com medo, muito medo. E novamente escuto de algumas pessoas frases feitas de livros de autoajuda. Ou questionamentos sobre meu modo de ser, como se eu fosse uma pessoa pessimista. (será? não acredito!). Eu tenho medo. Não deixo que ele me paralise, mas ele existe. E junto a ele há a maior dor de toda história do ca, a dúvida da maternidade (existe uma história particular por trás disso). E o que eu ouço das pessoas: Você está preocupada porque quer! Você não dorme porque quer! Você não vai ser mãe agora, então não se preocupe! Os exames mostraram que seu nódulo está bem! Em novembro (nos próximos exames) se der problema você pensa nisso! Ou simplesmente tem aqueles que não dizem nada, fecham a cara quando me veem triste ou fazem perguntas do tipo: Porque você não dormiu direito? O que está acontecendo? (pior que são as pessoas mais importantes pra mim que "aprontam" essa). E até que se sentem ofendidas por eu pedir carinho e atenção, como se eu só soubesse cobrar isso e não que eu precisasse disso. Essas atitudes, somadas a comentários de que estou chata, sempre emburrada ou triste, só me deixam mais chata, mais triste e mais emburrada. Ninguém merece ser cobrada de não estar feliz!!! Principalmente quando não está feliz! Fato isso!!! E mesmo que eu esteja vendo tudo de uma maneira pior do que a realidade (o que já pensei e repensei e não acho que seja), mesmo até que esteja deprimida, ainda assim, e mais ainda até, frases feitas de autoajuda não resolvem nada! Compreensão, empatia e principalmente carinho resolvem. Palavras doces, abraços, elogios até e não críticas e cobranças de que tenho que ser forte! Eu sou forte, mas também sou frágil, mas também tenho medo!!!!Sou um ser humano! Desculpem todos que me apoiam, todos que sempre estão orando por mim. Todos que me dão carinho e dizem palavras doces sempre. Mas me sinto sozinha! Muito sozinha! Sempre acreditei que um abraço cura o mundo! Que carinho, empatia, palavras doces curam qualquer dor ou medo. Então não me venham com essa história de que eu preciso ser quase um robô, que sempre sorri, sempre está feliz, que nunca pensa negativo, que nunca tem medo! Porque estou apavorada!!!!