domingo, 3 de julho de 2016

O dia em que parei de brigar comigo mesma

Nascemos em uma sociedade repleta de regras de "boas condutas". Desde cedo, especialmente nós meninas, ouvimos dos adultos como devemos nos comportar. "Não fale alto, é feio". "Senta direito". "Não fale palavrão" e por ai vai. Longe de mim dizer que esses "conselhos" estão errados ou que não trazem bom senso às crianças. São as regras do jogo. Porém como tudo na vida devem ser usados com moderação. Meus pais, como tantos outros por ai, fizeram observações sobre minha conduta desde cedo como forma de proteção e Amor. Eu os agradeço muito por isso. E também como tantos pais nesse mundão teceram expectativas sobre minha pessoinha: "Quando crescer vai ser médica, casar com um cara trabalhador e ter filhos lindos" E é ai que começa o enrosco, rs Durante anos de ginásio eu repetia fervorosamente que queria ser médica e isso me atraía olhares de admiração e orgulho que eram bem satisfatórios, até eu perceber que não era bem isso que queria. Do ser médica a minha verdadeira vocação (que acredito ter a benção de encontrar) foi um grande caminho. Passei a querer ser uma médica diferente, pensei em "medicina alternativa", etc, até me dar conta de que realmente não queria isso pra mim. E claro, os olhares de orgulho e admiração passaram para olhares de decepção e desconfiança. Ouvi inúmeras vezes que estava deixando medicina de lado por medo de não conseguir (o que muitas vezes vinha somado às clássicas frases: Você consegue sim, você é capaz ou Sua prima conseguiu, fulano, ciclano, beltrano conseguiu, você também pode).Poderia, talvez, se realmente quisesse. Não foi o caso. E mesmo depois de formada na profissão que eu amo de paixão (mas que infelizmente é bem desvalorizada) ainda surgiam dúvidas sobre o porque não fazer medicina ou ainda seguir os passos do meu pai em direito. E as pessoas continuando a me dizer que eu era capaz de ser médica ou juíza e que isso seria melhor pra mim. Até tentei, mas não rolou. Quanto ao casar com um cara trabalhador. Perguntas clássicas dos meus pais sempre que conhecia ou conheço alguém (trabalha com o que? estuda?). E fique claro que não estou julgando a preocupação deles ou a atitude, Inúmeros pais seguem essa cartilha. Até meu ex namorado segue essa cartilha (rio alto agora) sempre me dizendo que vou encontrar alguém a minha altura (que não vou namorar um garçom qualquer - sem desmerecer a profissão). E também entendo e agradeço o carinho e proteção dele comigo.Quanto aos filhos lindos, acho que enquanto estiver solteira não serão mais uma cobrança....UFA Agradeço muito pelos inúmeros conselhos, apoios, empurrões e até julgamentos. Sei que falam isso por me amar. MAS.....eu não quero nada disso!!! E o dia em que aceitei isso foi tão libertador quanto arrancar um sapato lindo que fazia bolhas!!!!! Ser médica, casar com um cara honesto, ter filhos lindos é tudo de bom sim. Sonho de muita gente. Mas como mamãe sempre disse: eu não sou muita gente, eu não sou todo mundo, rs Eu sou eu. Pra sorte ou azar dela kkkkkkkk E eu juro que não sou um alien por isso. Sou até bem normalzinha!!! kk Eu sou ambiciosa dentro da minha profissão, estudo pra caramba pra fazer o meu melhor. Eu não quero ficar sozinha, passar a vida solteira, quero adotar crianças e dar muito amor a elas. Não é uma questão de 8 ou 80. Mas eu estudo porque gosto, ser terapeuta ocupacional é minha paixão. Namoraria sim com um garçom (desculpe ex), faxineiro, torneiro mecânico, médico, advogado, engenheiro, desempregado, hippie, enfim...porque eu não namoro a profissão e sim a pessoa. Eu não estou atrás de um porto seguro financeiro. Eu quero um companheiro. Alguém que divida os sonhos e o pastel comigo, rs Eu quero adotar uma criança especial (Down, autista, PC). E não estou brincando ou louca. Acho que ela seria um grande mestre em minha vida. E o que tudo isso tem a ver com o câncer??? Tudo, tem tudo a ver. O tumor são emoções mal resolvidas. É um aprisionamento de células perfeitamente organizadas de rápido crescimento que tomam nosso corpo. Assim como as convenções, as imposições da sociedade. REPITO. Não tem nada de errado em casar, ter uma boa profissão, ter filhos lindos. Se isso for sua felicidade, se isso for seu sonho. E juro que se algum dia eu mudar de ideia (porque ninguém é estático) e querer tudo isso estará tudo bem. Melhor ainda porque não teria que me justificar pros outros e principalmente pra mim mesma. Passei muitos anos brigando comigo mesma, indo contra as minhas verdadeiras vontades, moldando-me ao que os outros esperavam de mim. Uma boa menina, estudiosa, com um namorado trabalhador, com planos de casamento. Tudo lindo....só que não. Que alívio tirar esse sapato. E descobrir que o fato de não ser feliz nada tinha a ver com meu ex, com meus empregos, com os outros, mas sim com as inúmeras brigas travadas dentro de mim Estava no lugar e com pessoas que, por melhor que fossem, não faziam parte do meu mundo. Não compartilhavam dos meus desejos. Escrevo tudo isso na esperança de ajudar pessoas que conheço (ou não) que ainda brigam muito consigo mesmas. Querendo coisas que a sociedade não aprova, que não tem o aval, o apoio dos outros. Sigam seu coração e sejam felizes!!! Essa vida é curta demais para não realizarmos nossos desejos! Porque a VIDA É BONITA É BONITA E É BONITA!!!!!!